MEMORIA URBANA E LUGAR – GEOGRAFIA E URBANISMO

Concebida além dos objetos, a memória urbana não é uma objetivação institucional senão uma marcação coletiva; não é uma construção finalizada senão uma configuração em construção que emerge aqui e ali.

Através de AD Monografia e Artigos – Monografias prontas em geografia

Assim concebida, a cidade tem outra maneira de ser vivida.

Se a cidade é o lugar da memória e a memória não é reduzida a monumento, é necessário indagar: Que quer dizer isto, que implica isto, a onde nos conduz esta formulação? Para esclarecer esta questão, partirei de outro lugar.

Na cidade contemporânea, afetada pelo fluxo de capitais, imagens, pessoas, informação, não há lugares habitáveis geradores de sentido. Até que existem. Quando os há -como resultado de uma intervenção- advém o lugar, advém a impressão material que suporta os sentidos. O lugar, em outras palavras, é o lugar onde o acontecimento advém e configura, marca, afeta.

A memória requer um lugar onde acontecer porque a memória é um diálogo complexo e indeterminado entre espaço e tempo.Antes de deter-me nas situações, me deterei numa bela noção de lugar.

Durante uma noite perdida num lugar perdido da remota Grécia, um homem está por enfrentar com uma experiência e não o sabe. O homem é Simônides de Ceos. Simônides é parte de um jantar: há amigos, há bom vinho e melhor companhia. Está na vila de um de seus colegas. No meio da noite e intempestivamente, lhe aparecem dois seres estranhos e o convidam a abandonar o banquete. O homem de Ceos não se pergunta por que e o faz. Uma vez fora, produz-se um terremoto que termina com a vida de seus colegas. Simônides é o único sobrevivente.

Finalizado o sismo, o sobrevivente tem uma tarefa: o reconhecimento. Percorre o lugar e encontra corpos desfigurados. Nem parecem humanos. Não é possível reconhecer os corpos sem vida dos amigos, mas Simônides pratica essa noite uma de suas virtudes de poeta: recorda, faz memória. Um a um descobre os corpos de seus compatriotas. Em verdade, não os reconhece. Não é possível, de nenhum modo. Então, faz memória: recorda onde estava cada um, que lugar ocupava cada um: estes parados, aqueles sentados, esses outros recostados…

A cena finalmente se arma apelando à memória.A memória de Simônides reconstrói o sucedido mas o faz, não há dúvidas, a partir de impressões. As ruínas o orientam, guiam-no, permitem-lhe memorizar. Há lugar e esse lugar é condição da memória. Tudo em mil pedaços mas, no entanto, em seu lugar.

Alpha Monografias – Auxílio em TCC de geografia e urbanismo

O lugar é o lugar onde algo tem lugar, é o lugar da chegada, é o terreno onde o acontecimento é possível. Sem um lugar, nada há lugar. O lugar é o lugar onde a memória se expressa, existe, advém. A memória urbana, como a memória de Simônides, constrói seus lugares para poder advir porque ter tido lugar é ter um lugar.

~ by termpapermonografia on March 12, 2008.

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